Dr. Arnaldo Schizzi Cambiaghi
A resposta pode ser qualquer uma delas, dependendo de qual aspecto estamos falando. Aparência física ou fertilidade? Se o assunto é a aparência física, podemos afirmar que as mulheres de hoje estão cada vez mais jovens. É o sinal dos tempos atuais: exercícios físicos, academia, boa alimentação, recursos da medicina estética, uma moda transada e uma boa dose de vaidade tornam uma mulher aos 40 ou até aos 50 com uma aparência muito jovem. Estes fatos sãos bem diferentes dos tempos passados quando estes recursos inexistiam e a fisionomia destas mulheres era mais sóbrias e senhoril muitas já pensando em netos. Hoje este retrato mudou. Algumas são mães recentes e passeiam orgulhosas empurrando seu carrinho de bebê, iguais as do passado nos seus 20 ou 25 anos. Entretanto, se assunto for fertilidade a resposta pode ser diferente.
Se a aparência física pode ser conservada ou disfarçada, o mesmo não acontece com os ovários e os óvulos. Os ovários têm a mesma idade cronológica que a mulher. Não importa quanto jovem ela aparenta, os óvulos envelhecem com o passar dos anos. As mulheres quando nascem, tem nos seus ovários um número pré-determinado de óvulos que serão desperdiçados com o passar dos anos, algo ao redor de dois milhões. Na primeira menstruação, que ocorre na idade próxima aos 12 anos, já possuem uma diminuição desta quantidade, terão apenas 300 mil óvulos capazes de serem fecundados. A cada ciclo mens¬trual, para um óvulo que atinge a maturação, aproximadamente mil são perdidos. Neste processo contínuo e normal, a quantidade de óvulos de boa qualidade disponíveis para serem fertilizados vai diminuindo. Os que restam são chamados de RESERVA OVARIANA, que correspondem ao “estoque” de óvulos que permanece nos ovários disponíveis para gerarem um bebê. Após os 35 anos, na maioria das vezes, este número já fica bem menor, iniciando-se um maior declínio da fertilidade. O ovário fica mais velho, independente da aparência física. Estima-se que uma mulher acima de 38 anos tenha somente 10% dos óvulos que possuía na época da sua primeira menstruação.
Aos 40 anos poucos óvulos podem se desenvolver. A qualidade é bem inferior à encontrada aos 20 anos. Isto pode ser traduzido como dificuldade na ovulação, fertilização, implantação e desenvolvimento do embrião, menor chance de gravidez, maior chance de aborto e doenças cromossômicas.
Um dos maiores problemas da fertilidade feminina é que a média de idade das mulheres que engravidam vem aumentando a cada ano. Se em um passado próximo, o inicio da maternidade era aos vinte, hoje, a média de idade do primeiro filho supera os trinta com tendência a aumentar. Atualmente, observa-se que um em cada cinco nascimentos é de mulheres com idade superior a 35 anos. Muitas razões provocaram esta evolução que se iniciou há algumas décadas quando as mulheres passaram a ter opções para o controle de natalidade. Controle esse que suas mães e avós não tiveram, pois não podiam determinar a época desejada de gravidez usando métodos anticoncepcionais de hoje, totalmente reversíveis. Desde esta época, a mulher passou a adiar a gestação e perseguir um status profissional e uma carreira desejada. Entretanto, tudo isto pode ter um preço alto, uma vez que esta idéia estimula os casais a buscarem seu primeiro filho numa fase de declínio da fertilidade. Existem ainda outros fatores que motivam as mulheres buscar um filho em uma idade tardia, como, por exemplo, um segundo casamento com um homem que não os têm. Assim, não devemos nos deixar iludir pela aparência física, pois, A REALIDADE É QUE PODEMOS NOS ENGANAR!
A idade cronológica versus idade dos ovários
A reserva ovariana é avaliada, fundamentalmente, pela dosagem sangüínea de 5 hormônios no 3º dia do ciclo menstrual: FSH, LH, estradiol, Hormônio Anti-Mulleriano(AMH ) e Inibina-B.
Existem muitos fatores que aceleram a perda da quantidade e qualidade dos óvulos.
Com exceção do cigarro, drogas recreativas e bebida alcoólica em excesso, os outros fatores não podem der evitados, mas podem ser prevenidos utilizando-se as TÉCNICAS DE PRESERVAÇÃO DA FERTILIDADE (www.ipgo.com.br/preservaçaodafertilidade).
Muitas pessoas acreditam que a tecnologia moderna da medicina é capaz de resolver todos os problemas de fertilidade. Embora os constantes avanços da ciência têm ajudado os casais a conseguirem o sonho de ter filhos, esta realidade ainda está longe de evitar o envelhecimento e a perda da qualidade dos óvulos, apesar de algumas pesquisas apontarem como possível impedir esta trajetória (células tronco, Sphingosine-1-Phosphate, Gene Bax entre outros - www.ipgo.com.br/preservacaodafertilidade).
A Fertilização in Vitro, acompanhada de novos exames, técnicas avançadas de congelamento de óvulos que é importante para preservar a fertilidade em mulheres que ainda não tem filhos (vitrificação)-www.ipgo.com.br/congelamentodeóvulos- e estudos genéticos, entre outras possibilidades, é uma grande conquista para os casais que desejam construir uma família em uma idade mais avançada. Mas, infelizmente, isto não garante tudo.
É sempre importante analisar que em situações extremas, quando os ovários não tiverem mais óvulos capazes de serem fertilizados e as condições hormonais estiverem próximas da falência ovariana ou na menopausa que, a doação de óvulos é uma alternativa bastante interessante capaz trazer felicidade aos casais que desejam ter uma família. www.doadorasdeovulos.com.br).
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